Limpando os pés

Tenho sonhado muito. Ou melhor, sonhar todos sonhamos. Tenho me lembrado com nitidez dos meus sonhos. Os da noite passada e os dos anos passados.

Sentada na mesa do restaurante, contando tâmaras de 7 em 7 e embalando-as num saquinho pequerrucho, lembro de um que tive há pelo menos 1 ano e meio. Pintando o rodapé da varanda, de outro do ano passado. Mergulhando no lago a meia noite, mais um, de uns 3 anos atrás, aparece na minha cabeça. Sonhos que nunca tinha me lembrado. Todo dia, pelo menos 3 pipocam na mente.

Ainda não encontrei relação entre eles. Na verdade, não procurei. Porque, somando isso aos flashes de lugares aleatórios no Rio que tenho tido, sinto que tudo faz parte de um mesmo processo. O canto esquerdo de um restaurante no canto da PUC, um posto de gasolina no Humaitá, um banheiro do Fashion Mall, uma esquina no Flamengo. Lugares randômicos.

É como se estivesse achando reminiscências no modo shuffle. Sinto que é um processo de limpeza. Minha mente em Neot Semadar está livre do excesso de estímulos. Fica fácil perceber os movimentos internos.

É como se, nesse ponto da viagem, eu percebesse o fluxo do rio que eu estava imersa antes de decolar. Como se minha vida no Brasil fosse um riacho, ás vezes uma cachoeira, um córrego, ribeirão ou as Cataratas do Iguaçu. Agora, estou sentada numa pedra, na margem desse aguaceiro, numa posição não tão confortável que seja possível ficar parada, mas com assento suficiente para que eu possa me concentrar no movimento do Rio.

Vejo de fora, com o corpo ainda úmido, a água correr. Com distância suficiente para perceber as pedras, galhos, folhas, peixes e girinos. Ainda sem clareza total do ecossistema que vive ali (ou aqui), mas, com os pés cada vez mais limpos, vou entendendo os sulcos que a água foi fazendo nas pedras, o amontoado de folhas nas partes mais rasas, os galhos que bóiam e os que afundam, o movimento dos peixes á procura de alimento, a maneira com que os girinos procuram abrigo.
Ainda sem compreensão total da relação entre todos os elementos, mas, com os pés cada vez mais limpos, a mente relaxa, recebe e percebe.

É tempo de limpeza.

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4 respostas para Limpando os pés

  1. Celia disse:

    ecologia pessoal! fundamental… só pode se dar no silêncio da mente… e tem gente que ainda não sabe pra que serve meditar

  2. ro disse:

    compartilho e deixo um cafune silencioso, um fragmento

  3. Bianca Arcadier disse:

  4. Zyn disse:

    Marejo toda vez q te leio, lindona! MUITO AMOR por você estar fazendo isso tudo! =*

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