365 dias, um só volume

Minha gente, é oficial. Eu estou indo passar um ano fora. Um ano, um pouco mais, um pouco menos. O fato é que tô saindo fora. E decidi, há um tempo, que vou fazer um blog durante a minha viagem. Porque sei do mal que sofrem os que ficam no Brasil sem receber notícias. E não é do meu feitio ficar escrevendo e-mails pessoais. Então… Quer saber de mim? Entra aqui! E comente, eu agradeço. Porque muito provavelmente terei momentos de solidão, muitos deles.

Tinha combinado comigo mesma que começaria o blog no dia que comprasse a passagem. Não comecei. Comecei hoje, no dia em que percebi que terei que levar um só volume pra passar um ano fora. 365 dias, com um só volume. Fudeu. E meu prazer diário de montar um look totalmente novo, de acordo com meu estado de espírito? Fudeu. Imediatamente comecei a pensar no que vou deixar pra trás: meus cintos, minhas pulseiras, minhas calças-que-só-combinam-com-aquela-blusa, meus lenços, meus sapatos. Meus sapatos! Fudeu. Ridícula, né? Resolve viajar pra fazendas orgânicas, pra colocar a mão na lama e estudar a utilização sustentável dos recursos do planeta e está preocupada com as roupas que (não) vai levar… Me faz pensar a quantidade de fantasmas que vou me deparar nesse um ano, a começar pelo apego. Fudeu.

E se as roupas são representações dos meus sobrinhos, irmãs, pais, família, amigas, amores? Todo o apego a controlar “minhas” coisas tão de pertinho? Ué, Carol? Controlar? Mas você não vai passar esse tempo fora, sozinha, em uma cultura totalmente diferente da sua? Você não está saindo do Rio sem ter o planejamento da viagem fechado? Você não me parece ter tanta necessidade de controle. De repente é pra isso que estou indo. Pra perceber que não controlo nada. A decisão dessa viagem veio depois que tive um vislumbre de que tudo acontece da maneira que precisa acontecer, independentemente do meu domínio. O mar abre quando precisa ser aberto. Entendi isso quanticamente e a viagem se desenhou. Mas ainda tenho minhas crises de controle, de controlar até meu descontrole. De caraminholar. Pra mim, se não tenho problemas na cabeça sou cabeça de vento. As preocupações parecem ser a única maneira de povoar minha mente.

Um ano fora, sozinha. Conversando comigo mesma. Isso vai ser engraçado. Tragicômico, eu diria. Preciso aprender a esvaziar a mente das pré-ocupações, se não nem eu mesma vou agüentar a verborragia da minha mente. Então, espero que, ao longo desse 1 ano, eu consiga trocar todos os “fudeu” de lá de cima para “mudei”. Afinal, serão tantos estímulos visuais, olfativos, sensoriais, emocionaisl e, principalmente espirituais que o que estarei vestindo será como o meu corpo: instrumento de experimentação, e nada mais. Quem sabe não volto nudista?

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9 respostas para 365 dias, um só volume

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  3. Ana Loureiro disse:

    Carol, gostei demais do que li, muito bom!!!! Vou acompanhá-la, posso???bjs

  4. Iaci Moraes Lomonaco disse:

    haahahahah ser voltar nudista te levo pra praia que vc ainda pensa ser em Grumari rsrsrs

  5. Luiz Carlos Baumfeld Cardoso disse:

    Claramente vc vem se preparando para esta VIAGEM AO CENTRO DA CAROL ja ha algum tempo (acho que desde sempre) e tudo que vc acumulou nas tuas mochilas de milhoes de litros vai servir de base, de pedra fundamental, para aquilo que comeca a ser aperfeicoado (muito ja esta construido) com a decolagem. E se, quanticamente, somos feitos de espacos entre moleculas, as distancias em quilometros sao virtuais e representam muito pouco. Carregamos vc na gente e vc tambem nos leva junto.

  6. Jéssica disse:

    Carol querida…impressionante seu blog. Entrei hoje pela primeira vez. Estou impressionada e muito emocionada. Fazem anos que não te vejo, que não sei de você, e de repente perceber que de uma adolescente rebelde, no ótimo sentido, sempre querendo mudar o mundo, questionando tudo e a todos e principalmente SE questionando constantemente, me deparo com uma mulher madura, linda e cheia de amor pra dar. Quero que saiba que te admiro muito e suas palavras tocaram fundo o meu coração. Uma pena que não te encontrei por aqui antes, gostaria de ter te visto na sua passagem pela terrinha…Boa sorte e muito luz nessa sua jornada física e espiritual.
    Um beijo grande,
    Jéssica

  7. Paula disse:

    Oi, Carol! Já faz algum tempo que penso em fazer uma viagem dessas, para conversar comigo mesma um pouco também. Hoje estou encarando essa idéia novamente, e que medo que dá! Antes não tinha tanto, mas agora com a idéia se tornando mais concreta na minha cabeça, é um pouco assustador… Já sinto solidão por antecedência.
    Acho que devo ser controladora. Sinto uma necessidade de ler os seus outros posts, para tentar entender como está sendo a sua experiência e ver como poderá ser a minha. (olha isso! como se não existissem N outros fatores)
    Enfim! Não sei como está sendo a sua viagem, mas espero que tenha encontrado o que procura, se a conversa interna tenha tido bons resultados!
    Beijos!

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