Sobre o medo

Fui no homeopata semana passada. Não só porque cada semana era um piripaque novo, mas porque é altamente recomendado esse tal de check up em todos os médicos. Agora só falta marcar dentista. Todos os outros especialistas, check!

E sempre que vou no Dr. Tatar recebo uns tapas na cara. Dessa, vez, não podia ser diferente. E provavelmente ainda estou com os dedos dele marcados no meu rosto.  É que todos os supostos piripaques que meu querido corpo estava tendo eram só uma maneira de me comunicar: Carol, você está viajando daqui a pouco. Quando vai se dar conta disso? Da cintura pra baixo tava tudo errado: tornozelos, joelhos, alergias, infecções, dores e por aí em diante. É a tal da necessidade de sobrevivência. Resumindo, estou médio fugindo do assunto “um-ano-sozinha-fora” pra não fazer xixi nas calças. O medo bate a porta e eu saio pela janela.

Mas medo de que? Estou segura de que as coisas vão se encaminhar como se encaminharam até agora. Estou segura do fluxo, de encontrar pessoas certas no momento certo. Segura de que vou conversar tanto comigo mesma que as respostas vão brotar. Mas é só alguém me perguntar: “está tudo pronto pra viajar?”, que começo a me questionar: “gente, que TUDO é esse?” Não é só a mala (ou, no meu caso, a mochila, ui ui ui) e a papelada que precisam estar em ordem? Que TUDO é esse que as pessoas enchem a boca pra perguntar? Estou esquecendo de alguma(s) coisa(s)? Bom, as roupas eu separei hoje e já botei pra lavar, depois de anotar o que falta comprar – e achar. A papelada está encaminhada. O que falta aprontar? Minha cabeça.

Ou então quando alguém quer saber qual é a minha programação pro ano todo. Minha vontade é responder: “Você sabe com 100% de certeza onde vai estar em fevereiro de 2012? É. Nem eu.” Mas como (ainda) sou muito preocupada com as reações dos outros, saio pela tangente, falando que tenho os primeiros 6 meses programados e que depois decido o que faço. Mas sempre que me escuto falar isso me reprimo. Não é “decido o que faço”. É mais pra “vou receber as respostas pras minhas perguntas”. Mas aí me chamam de Pollyana, me acusam de fazer jogo do contente e dizem que o planejamento é a alma do negócio. Pode ser a alma do negócio, mas não é a minha alma.

Outro dia ouvi que o que difere o ser humano dos outros animais é a capacidade de planejar. Nunca vi uma teia de aranha imperfeita e já vi várias construções planejadíssimas desabarem como se feitas de areia. Não. Não vou planejar. Não vou fazer contatos daqui. Confio que tudo se encaminhará no most benevolent outcome. Confio mesmo? O que falta aprontar? Meu coração.

Mas aí vem uma linda borboleta chamada Valentina e me diz que estou pronta. Que ela não ficaria 20 minutos passeando no corpo de um ser humano que não esteja pronto pra vida. Querida Valentina, obrigada por acreditar em mim. Obrigada pela verdade compartilhada, pelos olhares trocados, pelas antenas conectadas. Obrigada por me ler e por abrir portais comigo. Obrigada por entrar e por deixar ser entrada. Obrigada por todos os sinais transmitidos, Valentina. Obrigada por dissipar o medo.

Gratidão.

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Uma resposta para Sobre o medo

  1. Priscila disse:

    Seguidora desde já, não podia deixar de comentar um post sobre “medo”, né?

    medo assim, com letra minúscula, porque a gente bem sabe (e você sempre com palavras lindas me relembra disso), que o medo se dissipa com AMOR. Esse sim, em letra maiúscula. Sempre lembro de você nestes momentos… Por isso faço questão de dizer que: nem você nem ninguém pode saber com 100% de certeza onde estará em fevereiro de 2012. Basta você querer estar. E olha que delícia estar livre, guiada pela alma, pelo AMOR.

    Carol tenho certeza que essa jornada de encontro vai te transformar e eu vou acompanhar sempre o que você quiser compartilhar aqui. Te cuida, e fica tranquila que eu aprendi que em viagem ninguém fica doente! Você vai ver que o piripaque passa completamente!

    Boa sorte e AHO!

    Beijos,
    Pri

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