Até a última lágrima de vinho

Hoje é Yom Hazikaron aqui em Israel. Dia de recordar os soldados mortos em combate. E as vítimas do terrorismo.

E, como o dia aqui começa à noite, (não é só a escrita que é da direita pra esquerda, o dia aqui também é ao contrário, porque o calendário é lunar) ontem à noite fizeram uma cerimônia em homenagem aos soldados. Discursos, vídeos e músicas bem tradicionais israelenses num palco gigante e uma multidão sofrendo. Uma tristeza só.

Pelo que a Fabi traduziu pra mim, as palavras mais faladas foram: “E ele não chegou.” Eram os familiares contando sobre a espera interminável, sobre a angústia da volta para casa que nunca aconteceu.

Fiquei pensativa… Será que essa seria a melhor maneira de homenageá-los? Lembrando a falta e não a presença? A presença, mesmo que breve (soldados são crianças de 18 anos), merece ser comemorada. Porque não relembrar sua alegria em vida? Porque o drama?

Engraçado reler esse último parágrafo… Hoje estou saudosa. Sei que estou aqui há nem uma semana. Mas senti falta de um abraço, de um ombro. E, relendo essas palavras acima, percebi que as escrevi pra mim. Lembrei dos abraços e ombros dos últimos meses. Foram tão sinceros que ainda os carrego no meu coração. A carência passou.

Ufa…

Mas, voltando à cerimônia, será que os próprios soltados gostariam desse tipo de sofrimento? Afinal, eles serviam ao exército para que a população israelense se sentisse segura e, em última instância, viver uma vida normal e feliz. De maneira nenhuma minha idéia é diminuir a importância desse dia e fazer dele uma oportunidade de ser feliz. Muito pelo contrário. Acredito que, mudando o ponto de vista da homenagem, ela seria muito mais efetiva, mas nunca alegre. Precisa ser triste e respeitosa, mas sofrida?

Agora são 20:46 aqui e o dia já virou. Já é outro hoje. E hoje é Yom Haatzmaut, dia da independência. Ouço fogos, pessoas cantando e gritando. Ouço felicidade. Isso é judaísmo. Sofrer até a última lágrima escorrer e comemorar até a última gota de vinho.

E eu, aqui. Procurando o caminho do meio.

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2 respostas para Até a última lágrima de vinho

  1. Bete Virgiliis disse:

    O caminho do meio, o equilíbrio , a simplicidade, a tranquilidade. Simples assim. Bjs

  2. Ricky disse:

    Oi carol, maneirissimo o blog!!! to lendo direto!
    O mais sinistro desse dia é a “meia noite”, que na real acontece às 18:00… Esse momento que voce escreveu de chorar ate a ultima gota e depois comemorar. A gente não consegue entender o que eles sentem, todo mundo já passou pelo exercito e conhece alguem que morreu em guerra. É muito triste, mas assim que passa essa meia noite, a alegria volta, porque essa tristeza toda, foi pra ter a certeza de que temos um Estado e blablabla.
    O meio termo que voce ta procurando é a média dos dois dias!
    Aproveita! esse lugar aí é bom pra cacete!
    Beijos

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