Sustentabilidade e o vestidinho chumbrega

Ontem fui a Eilat comprar artigos de primeira (e segunda necessidade). Trabalhar com botas do exército conseguidas no armário de sobras de voluntários anteriores estava acabando com minha postura. As botas até são confortáveis e funcionam bem, mas são tão pesadas que estava andando como um homem. Daqueles com um remelexo todo especial nos joelhos que, supostamente, os faz ficar charmosos. Há controvérsias.

As meninas estavam planejando essa ida à cidade e aproveitei para comprar o que me fazia falta: as botas para trabalhar e fazer trilhas, mais protetor solar e um sabonete mais eficiente – o meu Granado deixa um cheiro delicioso, mas meus poros continuam cheios de areia.

A idéia era ir de carona, mas depois de 3 mulheres se revezarem no acostamento e nenhum dos 27 carros e 6 caminhões – sim, contamos – pararem, resolvemos pegar o ônibus mesmo e desembolsar os 20 shkalim (cerca de R$10).

Chegando na cidade, UOU! quanta gente, quanto carro, quanta movimentação, quanta loja. Passamos pela praia, 2 shoppings, um shuk (mercado cheio de bugingangas, tipo a Rua da Alfândega, mas com 1 milésimo do tamanho e da variedade) uma penca de restaurantes e incontáveis turistas carregando sacolas.

Depois do susto inicial e a crítica ao consumo desenfreado, que durou no máximo 15 minutos, lá estava eu numa barraquinha do shuk escolhendo um vestidinho chumbrega pra comprar. Precisava do vestido? Not! Mas a pulga do consumo me picou. Coisa engraçada…

Depois de 10 dias praticando a sustentabilidade em sua maneira mais pura, lá estava eu encantada por uma peça de roupa inútil (mas que vestiu suuuuper bem e custava uma pechincha). Levei. E que sensação deliciosa! Imediatamente já tinha 3 produções na cabeça, mesmo com as pouquíssimas peças de roupa que trouxe.

Porque tão excited? Comprar libera hormônios. Faz você se sentir especial, renovado. Sim, tenho meu lado Becky Bloom. Achava que essa pequena temporada vestindo a mesma roupa todos os dias e ainda assim sendo feliz – muito feliz – me faria menos consumista.

Aparentemente, preciso de muito, muito mais pra conseguir diminuir essa voracidade pelo consumo. Hoje, ao acordar, lá estavam minhas botas Timberland me esperando para seu primeiro dia de trabalho. Botas tenebrosas e brutas. Mas necessárias. Acordei de mau humor. Até ver as botas do meu lado. São feias. Mas são novas! E imediatamente me levantei, saltitante, pra colocar minhas calças masculinas de trabalho, imundas de lama do dia anterior, minha camiseta/trapo e as botas. Ah! As botas! Ao invés de ficar com a postura ruim por causa do peso delas, minha postura hoje ficou ruim de tanto que olhava pra baixo. A cada respingo de lama, a cada arrevoada de areia, a cada nova gota dágua, elas se tornavam mais minhas. Que sensação deliciosa! Nada como ter roupas novas.

Ainda bem que a jornada só começou há 3 semanas. Tenho mais umas 48 pela frente, pra me livrar – ou ao menos diminuir – esse vício.

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6 respostas para Sustentabilidade e o vestidinho chumbrega

  1. Iaci Moraes Lomonaco disse:

    haahhaah amiga, as botas são muito charmosas, acredite!!! eu amo minhas botas timberland!!! lov u

  2. Marisol disse:

    Fotos lindas, mas faltou uma das botas!! Bjs

  3. carla disse:

    Muito inspirador, principalmente pela vontade de ser voce, na essencia, no todo; sendo natureza. Obrigada. (Agradeço muito a Gabi por ter me apresentado essa caminhada linda de se ler )

  4. Camille Menaei Herchenhorn disse:

    e já pensou que suas botas novas daqui a 48 semanas provavelmente não serão mais suas? serão dos novos voluntários que a acharão largadas em algum armário…

  5. denise disse:

    eu quero foto das botas e do vestidinho nas 3 produções!!

  6. Bianca Arcadier disse:

    ahahahaha!!! digníssimo dilema!! sempre bom coisas novas! ruim não é renovar, ruim é jogar fora sem saber pra onde vai e comprar sem saber sa onde veio! trocastrocas, movimentosmovimentos, renovaçõesrenovações. notícia boa? dependendo do tecido – vestido tbm compostaaa!! uhuuul!!

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