Next stop: Kibbutz Neot Semadar

Shampoo que limpa o cabelo profundamente. Check.

Protetor solar. Check.

Roupa branca para o shabat. Check.

Meias não encardidas. Check.

Fazer a mala. Not check.

Passagem Tel Aviv – Beer Sheva – Eilat. Check.

Pegar sedex que mamãe e papai mandaram, com pó de pão de queijo, havaianas novas e alto falante pra iPod. Not check.

Avisar Kibbutz Neot Semadar que chego amanhã ás 14hrs. Check.

Tudo quase pronto. Amanhã vou para o 2º kibbutz no qual trabalharei como voluntária, Neot Semadar. Aparentemente, é um oasis no mesmo deserto onde fica o Lotan, o 1º em que trabalhei.

As pessoas que conhecem se dividem basicamente em dois grupos: amo ou odeio. Eles não falam durante as refeições, mudam de casa a cada 7 anos, comem somente orgânicos, trabalham cada dia numa coisa diferente, praticam permacultura, só é permitido falar no celular dentro dos quartos, não sei se tem fácil acesso a internet (e isso é o que mais me “preocupa”).

Os que odeiam dizem que são radicais, que se segregam do “mundo real”, que ficam tanto tempo em silêncio que não é possível fazer amigos.

Os que amam dizem que não é só um kibbutz, que é um retiro espiritual e que o silêncio faz com que as relações fiquem mais limpas e verdadeiras.

E eu estou com um frio na barriga. Depois da minha última experiência com o silêncio, me parece perfeito ir para um lugar que permite e estimula o não falar. No Lotan, haviam momentos em que eu queria ficar sozinha, sem e comunicar com os outros, mas sempre aparecia alguém e eu me sentia na obrigação de conversar. Conversas ótimas, aprendi muito e troquei muito. Com os outros, não necessariamente comigo.

É como se a trilha no deserto que fiz essa semana me preparasse para ter segurança de que preciso me voltar pra dentro pra receber de fora. Mas, sim, bate uma insegurança: será que vou gostar do trabalho? Será que serei bem recebida? Será que vou me conectar com as pessoas? Será que um mês é muito? Será que meu quarto é individual? Será que conseguirei postar no blog com assiduidade? Será? Será? Será?

Sei lá, não sei. Sei lá, não sei não.

Só sei que fui parar no Neot Semadar por acaso. “Por acaso”. Durante minha pesquisa sobre WWOOFs em Israel (fazendas que recebem voluntários), gostei de umas 15 possibilidades. E mandei e-mails para todas. Ele foi o primeiro a me responder e confirmei imediatamente minha ida, ainda sem ter idéia de que iria para o Lotan primeiro.

Já no Lotan, as pessoas que mais me identifiquei só falavam do Neot Semadar. Sobre como era um lugar que fazia o mesmo que o Lotan fazia, mas sem hipocrisia, com um embasamento espiritual forte. Então imediatamente soube que estaria no lugar certo.

Mas a possibilidade de ter que ser companhia de si mesmo assusta. E sinto que agora o bicho vai pegar. E adoro sentir isso!

Não sei como serão meus posts no próximo mês. Espero que freqüentes. Mas talvez seja importante pra mim não postar, não me comunicar tanto, me afastar desse vício internético.

Time will tell.

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2 respostas para Next stop: Kibbutz Neot Semadar

  1. Marisol disse:

    É isso mesmo, Carol, vai e confia no poder do seu silêncio e na sua comunicação interna. Nós, que estamos te acompanhando como uma espécie de “platéia”, torcemos muito por você, vibramos com os seus passos e ficamos admirados com as suas histórias e as suas descobertas. Mas talvez chegue um ponto em que falar, mostrar e comprovar a sua experiência e o seu aprendizado para os outros não vai ter o mesmo sentido porque você está se propondo a lidar com algo que não tem nome, imagem, versão ou interlocução. É a experiência em sua forma genuína. Estamos aprendendo muito com os seus questionamentos (digo por mim, mas tenho certeza de que outros amigos e parentes seus também o estão), mas lembre-se sempre que esse diálogo todo é seu, é contigo mesma, são os seus vários “eus” falando e se expressando. Você nos inspira e nos convida, o que é um gesto generoso e agradável da sua parte, mas também se permita apropriar-se integralmente da sua proposta, mergulhar fundo nela. Bacana você ir para um lugar que se preocupa com as condições em que as pessoas vão estar, que se preocupa em criar estas condições. Me parece que as nossas experiências dependem muito das condições em que vivemos. Que oportunidade incrível você vai ter, Carol. Aproveite! De uma forma “egoísta” eu te diria para continuar nos escrevendo, mas se isso não for possível podemos aceitar generosamente como o que te cabia viver neste momento. E não por acaso!! Forte abraço, Marisol

  2. Mila disse:

    Querida,
    só não se esqueça de que seu vício internético é também o nosso vício. De que os seus posts são os nossos posts… E que não receber uma mensagem no gmail do “quando o mar se abre” vai ser triste. Então aproveita a sua busca, mas manda uma noticiazinha de vez em quando só pra gente se sentir mais pertinho de vc.
    ENJOY!
    Mila

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