Vêm não em vão

“Roda mais! Mais! Roda mais!”

“A gente é que nem os boi: roda, roda e não sai do lugar”. Eu quero sair do lugar.

Essa semana revi Abril Despedaçado. O moinho rodeado por bois que repetem um movimento automático, o tempo que faz tudo amarelar, a menina que roda na corda, por horas a fio, e não fica tonta com a liberdade. Me fez pensar que romper um ciclo subverte toda uma ordem, mas traz a possibilidade de renovação, de liberdade de escolha, de um oceano de possibilidades e do encontro com o mar aberto.

Abril, quando o mar abriu. 1 mês antes de embarcar num avião pra Israel. Vontade de deixar padrões pra trás, certeza de que não os repetiria, necessidade de finalizar um ciclo que estava vivendo há alguns anos. Necessidade de caminhar pelo mar.

4 meses depois, repito a mesma sensação. Meu ciclo em Neot Semadar acaba em alguns dias. Vivi muito por aqui, ainda que não tenha postado tanto. Sensações muito peculiares, algumas difíceis de serem lidas por mim, quanto mais escritas para serem lidas por vocês. Preferi não documentar o que ainda não tenho claro pra mim. A mesma sensação de deixar pra trás comportamentos que não repetiria, de finalizar um ciclo vicioso.

Os ciclos vão e vêm. Em diferentes tempos e proporções. E vão sendo refinados. A cada processo que passamos, limpamos alguns padrões de comportamento, mas outros permanecem e precisaremos lidar com eles – se assim decidirmos- na próxima vez que eles se apresentarem. Nesse mês que estive nesse kibbutz, percebi inúmeros padrões repetitivos, em um tempo condensado. Coisas que não havia percebido em anos, aqui percebi em dias.

Os ciclos vêm e vão. E vão sendo refinados. A cada processo que passamos, limpamos alguns padrões de comportamento, mas outros permanecem. Os ciclos vão e vêm. Alguns mais longos, outros mais curtos. Os ciclos vêm e vão.A vida nos dá oportunidade de aprender a mesma lição nas mais diversas situações. Hoje deixo pra trás um padrão que achava que tinha abandonado há 1 ano. Não. Ele é tão profundo que eu precisei revisitá-lo sob outras circunstâncias. E, provavelmente, ainda tenho farelos dele aqui dentro. Ou uma fatia inteira. Ou até outras camadas do mesmo bolo. Então, existe a possibilidade de, num futuro próximo ou não, eu ter que grudar os farelos espalhados pela mesa no dedo indicador e encaminhá-los á boca, pra processá-los sem indigestão. Se o que me servirem for uma fatia inteira, também encaro, talvez fique um tanto enjoada, mas precisarei de uma boa siesta depois pra deixar a farinha assentar no corpo. Agora, se o que tiver sobrado desse bolo for uma camada completa… Prefiro colocar no congelador e ir comendo de pouco em pouco. Haja estômago! Comer tanto açúcar de uma vez pode dar refluxo…

Os ciclos vêm.
Os ciclos vão.
Os ciclos vêm e vão.
Os ciclos vão e vêm.
Os ciclos vêm não em vão.

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3 respostas para Vêm não em vão

  1. denise disse:

    clap clap clap
    bsxch bsxch bsxch (barulho de beijo)

  2. Iaci disse:

    te amo

  3. Bianca Oigman disse:

    na verdade o ciclo é como uma espiral. a gente às vezes volta num mesmo ponto, mas já de um outro lugar. Uma oitava acima, ou abaixo =)

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