Expirar inspira

Inspira e percebe o ar que passa por suas narinas, sua temperatura, sua densidade, sua presença. Percebe também como, ao deixar o ar entrar, você deixa também a ilha entrar, deixa Bali expirar através de você.

Expira, deixa o ar sair lentamente dos limites do seu corpo e fazer parte da inspiração da ilha. Percebe como toda inspiração é também uma expiração e como toda expiração é também uma expiração.

Inspira, cria.

Expira, destrói.

Inspira, expira. Cria, destrói.

Expira, inspira. Destrói, cria.

Toda criação é, em si, um ato de destruição, e toda destruição é, em si, um ato de criação. Criando, você destrói o nada. Destruindo, você constrói o nada. Só a partir do nada a criação é possível. E assim, vamos destruindo para abrir espaço para construir e construímos com desapego, aceitando que nossa criação será destruída, mais cedo ou mais tarde, para dar espaço a uma nova criação.

Nada é permanente. Nem o nada é permanente.

Inspira e permite o ambiente expirar através de você. Expira e permite o ambiente inspirar. O ambiente te expira. Você inspira o ambiente. O ambiente te produz e você produz o ambiente. Produção, criação. Você e o ambiente co-criam-se mutuamente. Qualquer tentativa de controle de qualquer uma das partes é ilusória e levará à frustração eventualmente. A passividade, por sua vez, leva a uma vida estagnada.

Inspira, expande.

Expira, contrai.

Inspira, expira. Expande, contrai.

Expira, inspira. Contrai, expande.

O perfeito equilíbrio entre o controle e a passividade, entre o dar e o receber, o sim e o não, o masculino e o feminino, a expansão e a contração; o perfeito equilíbrio entre eu e o que me cerca levam à co-criação em sua mais alta potência.

Para eu atingir o potencial máximo da co-criação da realidade, preciso primeiro respeitar a infinitude da sabedoria universal e perceber que sou parte participante dela. Entendo, então, que o universo e eu somos capazes de criar, juntos, não só a minha realidade, mas a realidade do próprio universo através de minhas (nossas) ações, palavras e também pensamentos.

E, assim, na medida em que as perguntas certas vão se desenhando no meu coração e estabeleço uma comunicação livre com meu mais profundo e sutil “eu”, sou capaz de soprar para o universo meus desejos e questões mais puros e ele sussurra ou, ás vezes, grita de volta as respostas. Só preciso estar com os ouvidos atentos. E, quando o universo está em silêncio, entendo que é nosso momento de expiração, de destruição, de paciência, e, acima de tudo, de contração. Depois de toda contração vem uma expansão.

Expansão, contração. Inspiração, expiração. Sístole, diástole. Vida, morte. Dia, noite. Masculino, feminino. Sol, lua. Primavera, outono. Luz, escuridão. Dentro de cada um deles, a existência do seu oposto. Dentro de cada um de nós, a existência do todo. Dentro do todo, a existência do nada. Dentro do nada, a existência do todo.

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira.

Expirar inspira.

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2 respostas para Expirar inspira

  1. juliana hirsch disse:

    carol, eh incrivel como que sempre que me deparo com um post seu , e venho ler, por acaso(sera?), este, vem como se fose uma mensagem quase que pessoal para mim, parece, que me cai perfeito , e que vc esta de certa forma me falando o que eu precisava ouvir naquele momento.Momento esse na maioria das vezes, de dunida, e de questoes, de mudancas, de descobrimentos. Estou amando ler seu blog, e vc nao imagina o quanto me toca , me inspira, e me anima!! parabens!!!!!!

  2. Mery disse:

    To começando a respirar…

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