Música na Green School

Mila,

Você ia ter chorado. Tenho certeza. Acabo de voltar da apresentação de música da escola. Eles terão uma semana de break começando da próxima 2ª e esse foi o fechamento desse período.

Fui despreparada, sem minha câmera ou caderno de anotações… Usei meu celular chumbrega pra anotar coisas esparsas. Espero pegar as fotos que a escola tirou pra ilustrar minhas palavras.

Pra começar, pais, equipe e alunos sentados numa arena de tijolos feitos de lama. Pessoas de todas as nacionalidades, cores e estilos. A apresentação começou com as crianças de 3 anos sendo abençoadas com a típica água floral balinesa. Cantaram uma música típica local, felizes e saltitantes. Uma pequena pega o microfone e monopoliza a cena. Todos riem.

A segunda turma a subir no “palco” é mais velha, e não é bem uma turma. É mais um grupo de diferentes idades que resolveu se reunir depois dos almoços para, segundo eles “serem livres através da música”. A professora que os ajuda os apresenta dizendo que “Possibly, we are crap. But at least, we are crap together!”

Violão, baixo, bateria, guitarra e vozes são realmente uma merda. Mas que merda linda! As crianças se expõem sem medo, com prazer. Uma, de camiseta Chanel cortada na gola, é a típica gordinha de bochechas rosadas e blusa apertada que seria zoada em qualquer outra escola. Aqui, ela canta, dança e gargalha com os amigos de diferentes idades, enquanto dois pequenos de uns 3 anos se abraçam e requebram sentados. Ninguém tem medo de ser feliz.

Agora é a hora de 6 marimbas entrarem em ação. Eu estou apreensiva. São 12 crianças de 8 anos tocando e a sincronia será um desafio. Elas começam e eu, obviamente, choro. Quanto choro esses últimos dias! No início, só tons agudos. Ninguém fora do ritmo. Trios tocam na mesma cadência e a sinfonia vai se formando. A marimba grave ainda está vazia. Até que chega uma pequerrucha que parece que vai quebrar ao meio e domina o monstro! Quanta confiança! Mais de 300 pessoas apontam seus olhos para ela, que se diverte concentrada com movimentos precisos. A platéia requebra ao som de uma música do Zimbábue.

Depois de diferentes idades se apresentarem nas marimbas, it´s time for rock`n roll! Kind of… Você ficaria nervosa com a poluição sonora. Mas feliz com a falta de frustração dos professores. Adultos não carregam nas costas a responsabilidade da coisa toda funcionar. Sabem que as crianças estão ali para se divertirem e aprenderem através da arte. Sem pressão de ser bom.

Diferente das apresentações tradicionais, o fator “fofura” quase não conta. (“Quase” porque é difícil não derreter vendo crianças lindas, sujas de lama e tinta, dançando e cantando espontaneamente, sem timidez nem show-off.) Pra mim, o que está em jogo é o conceito todo. Pra mim, tudo é novo e original. Crianças são crianças, mas sem depreciação. Aqui, elas são vistas como capazes e tem espaço de criação. As apresentações são decididas por elas e ensaiadas por elas, sem muitos adultos envolvidos. E, obviamente, superam qualquer expectativa, mesmo que sejam desafinadas ou sem ritmo. Estão ali, na frente de centenas de pessoas, absolutamente íntegras e seguras de si. E é só isso que importa.

Viva a Green School! Mal posso esperar pra vc ver tudo isso…

Amo!

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2 respostas para Música na Green School

  1. Camila Niskier disse:

    Uau!!! Se já estou chorando de longe imagina de perto…

    Consigo sentir toda a emoção desse momento, desejando que o Alex seja a criança que não pára quieta, fazendo palhaçadas e que o Davi seja o maestro da turma, dando ordens em tom sério, mas com um sorriso doce de derreter qualquer um.

    Tá chegando lindona!!! Não vejo a hora de estar contigo vivendo a educação do futuro! Here I come!

    bj

  2. Juliana Casagrande disse:

    Oi Carol, meu nome é Juliana, será que vc poderia me passar o seu e-mail?
    Eu estou começando a organizar uma viagem que quero fazer pra india, bali, tenho varias perguntas, se voce pudesse me dar umas dicas seria otimo!

    Bjs

    pode mandar no meu e-mail : julianacasagrande@uol.com.br

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