A malha e o abraço

Há seis meses me despedi da minha família. No aeroporto, minha irmã mais velha – Camila, mãe dos dois meninos mais lindos desse Universo – me abraçou chorando copiosamente enquanto me dizia entre nossas lágrimas e mucos: “Já tenho muito orgulho de você. E sei que terei ainda mais. Você vai realizar coisas lindas nesse ano e sei que vai encontrar ainda mais talentos.”

Minha irmã mais velha, um dos meus exemplos mais sólidos, me dizendo que eu era um modelo pra ela. Eu, a caçula. Aquele momento acendeu uma luz e me deu a possibilidade de perceber que eu tenho valor e algo a dividir e possivelmente ensinar.

O choro dela durou 2 semanas. Até que eu recebi o seguinte e-mail:

No dia em que vc começou sua viagem, eu comecei a minha. Mas em climas completamente diferentes… Saí do aeroporto realmente acabada, sem entender muito os motivos. OK, claro que me despedir de vc não ia ser muito fácil, mas não era pra doer. E doeu. Muito.

(…)

Logo depois o Davi chegou em casa com o Guga e me encheu de beijos lindos. Disse que se pudesse daria beijos no meu sangue e no meu osso, para me encher de felicidade por dentro!!! Lindo…

E eu arrasada…

No dia seguinte conversamos muito sobre essa dor, essa perda. Falei muito de vc, de como vc vive, da sua luz, dos seus desejos, dos seus talentos vários, da sua liberdade. E vi que não era só a sua liberdade. Era vc saber o que fazer com ela. Se eu tivesse liberdade hj não saberia usá-la. (…)”

Lembramos de todo o processo que vc passou até chegar onde está. Um processo longo, árduo. E abrimos um espaço pra mim na minha vida. Vou começar a procurar paz dentro de mim, para depois limpar o que não está bom e decidir o que falta pra melhorar.

Pq estou te contando isso? Não sei, pq talvez te contasse se vc estivesse por aqui. Pq a sua partida foi decisiva para eu tomar decisões. Pq ainda sinto a sua falta…

Que bom que começou! Que venham boas energias!

bjs enormes,
love you
Mila”

Seis meses, incontáveis e-mails e Skypes se passaram e nesse exato momento ela está no avião, a caminho de um abraço inesquecível. Como pode ela ter deixado marido e filhos sem babá ou vovó e vovô por perto? O que mudou desde que ela saiu do luto e decidiu enxergar sua vida sob outra perspectiva?

Seis meses incontáveis e-mails e Skypes depois, ela soube exatamente o que fazer com sua liberdade e com as oportunidades que a vida traz.

Meu cunhado percebeu na vinda dos meus pais a perfeita ocasião para ela se desconectar e se reconectar. Ele teve a grandeza de ficar com as crianças integralmente por duas semanas, sem vovô e vovó por perto pra segurar a barra. E ofereceu de presente pra ela uma viagem pra Ásia.

Consigo imaginar sua reação imediata, cheia de “nãos”: “Não, Guga, as crianças. Meus pais não estarão aqui pra ajudar, acho melhor não. Não é o momento.” E ele insistiu uma, duas, três vezes. Até que finalmente ela parou pra respirar e lembrou-se de seu e-mail “Se eu tivesse liberdade hj não saberia usá-la. (…)”. SE eu tivesse liberdade…

Pensou em como aquela frase nunca fizera sentido: “Hoje tenho liberdade. Tenho liberdade todos os dias da minha vida. Tenho livre arbítrio, escolha, tenho infinitas possibilidades. O que meu coração quer? Sem pensar nos outros, o que EU quero?” E, pela primeira vez em muito tempo, ela tomou uma decisão pensando pura e simplesmente em si mesma.

Eu vou pra Bali ver minha irmã. Eu vou pra Tailândia, um lugar que sonho conhecer desde meus 18 anos. Eu vou viajar sem meu marido ou meus filhos. Eu vou aproveitar a linda oportunidade que ele está me oferecendo. Eu vou reconhecer a grandeza de seu coração e de seu espírito e eu vou aceitar. Eu vou honrar meu coração. Eu vou aprender a receber.

Será que há 6 meses ela teria lidado da mesma maneira com o presente recebido? Será que minhas experiências ressoaram na sua existência? Através do blog tenho dividido com vocês o que acontece comigo de maneira muito pessoal, ás vezes não tão pessoal quanto eu gostaria, ás vezes mais pessoal do que alguns consideram aceitável (Ah! Se eles lessem os posts não publicados….). E sei que alguns de vocês param pra questionar suas próprias atitudes e é esse o objetivo maior desse projeto. Quando recebo e-mails, mensagens e comentários dizendo como esse ou aquele post ajudou um leitor a tomar uma decisão é como se cada centavo gasto nessa viagem se pagasse e cada perrengue valesse a pena. Uma sensação de que estou vivendo isso não só por mim, mas por todos vocês.

Mas para além das palavras e das experiências divididas verbalmente, será que tem algo no ar? Será que o que vivo por aqui ressoa por aí e vice-e-versa? Será que existe uma malha energética que faz com que nossos aprendizados sejam absorvidos mundialmente? Será que somos tão grandes assim? Entre irmãs essa possibilidade tem ainda mais potencial. Nossos laços são poderosos, tecidos desde a infância. Será que a minha nova noção de liberdade é também a nova noção de liberdade da Mila? Será que todo o trabalho pessoal que ela tem feito em si ecoa em mim?

Sim, será.
Sim, foi.
Sim, é.

Guga, gratidão infinita pelo amor e reconhecimento. Serão momentos de alegria tão pura que você e os meninos vão sentir daí.

Que venha o abraço! Sintam-se todos parte dessa explosão de amor que está pra acontecer. Aproveitem toda a linda energia que está pra ser liberada e alimentem-se dela.
____
Difícil ser clara e linear quando a idéia de que vou abraçar minha irmã em 48 horas povoa meus pensamentos. Excitação, felicidade, ansiedade.

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16 respostas para A malha e o abraço

  1. maria disse:

    aproveite muito este abraço. eu estou longe (mas não tanto) dos abraços mais importantes pra mim, e sei a falta que isto faz.

    e sim, eu acredito na malha.🙂

  2. mila disse:

    Acabei de chegar em Paris, em uma das inumeras hoxras que vou passar viajando… Estou sentada em um cafe de Bercy Village, comendo um bagel vegetariano delicioso. Pela primeira bez consegui abrir o iPad da Fefa e encontrar uma rede nao paga. Queria avisar ao Guga que esta td bem… Ai abro meu gmail e vejo post novo no ar. Mando a mensagem para ele e vou correndo clicar no link! E foi so comecar a ler para comecar tb a chorar. No meio do cafe de Bercy! 20 ’pessoas em volta, varios olhares estranhos…mais uma vez fui tocada, desta vez pessoalmente, pelo seu post. pela liberdade que eu etenho hoje, por saber o wue fazer com ela e por ter um maridao que capta tudo no ar e transforma todas as energias intangiveis em presntes incriveis. Amo muito tudo isso! So nao me acertei nesse iPad que nao me deixa acentuar as palavras… See you soon baby. guga obrigada pela oportunidade. Amo vcs 3.

  3. Eduardo Kiperman disse:

    Aproveitem!

  4. Isabel Portugal disse:

    Eu acredito na Malha!!! Eu acredito , acredito!!!!!

    E me emociona de uma forma tão delicada e ao mesmo tempo avassaladora… Como isso é possível? TALENTO, seu talento em escrever , viver e dividir isso conosco!!!
    Todo dia é dia… de viver a liberdade e aproveitar cada segundo!!!!
    Que a força desse abraço fique eternamente na lembrança de vocês!!

  5. gabiheringer disse:

    Continuo na fase chorona.
    Estou num dia de mau humor.
    E os momentos de questionamentos se tornam latentes hoje, parece que o senhor 11.11.11 veio com vontade de cutucar.
    E ai leio esse post: sou sua terceira irmã chorona sentindo a dor e a alegria de te ter tão longe.
    miss u. lov u.

  6. Ai a liberdade…. brigamos tanto por ela mas é tão difícil tê-la. O que fazer quando somos deixamos a sós com nós mesmos? Silêncio…uns fogem, outros correm pro abraço. Aproveita! beijocas!!!

  7. Iaci disse:

    no meio de reunião importante, com ONU, EPA e governo, discutindo soluções verdes ppara a cidade.. a conversa vira um jogo de egos, abro o link escondido e sem conseguir controlar, derramo lágrimas suficientes para encher milhoes de baldes! minha chefe esta chocada com o qu a poeira pode causar nos olhos… muito lindo!!!!

  8. Papai disse:

    Esta é uma das vezes em que eu pergunto em que sua mãe e eu acertamos (afinal dona Carol, quando a senhora nasceu sua mãe tinha 28 e eu 31 e zero de segurança, apenas amor e confiança). E agora, depois de inúmeros erros, vejo que de alguma forma acertamos muito.
    Até daqui a uma semana.
    beijos
    papai

  9. Sofia disse:

    Poxa! Esta forte demais e eu nem sinto tudo… Gratidao*

  10. Marcos kiperman disse:

    Debaixo de lágrimas e emoção vão os meus desejos de um feliz reencontro, com saúde, pois
    o amor está mais do que presente nesta linda rede. Abraços repletos de agradecimento pelos lindos momentos compartilhados. Beijos.
    Marcos.

  11. Adelia Bergier disse:

    Querida Carol: breve voçê e Mila juntas estou tambem com voçes……….beijos……….Adelia

  12. Não conheço estas pessoas e nem sei como isso veio parar diante de mim. Li e amei. Amor e liberdade ou liberdade e amor. Sempre.

  13. Carolina, tem outra Carolina, querida amiga minha que também esta em Bali. Trabalha como voluntária na Escola de Bambu. Podem se conhecer vcs vão se gostar de cara. Ela tb tem um blog Carolina Tiperk. Esse encontro vai gerar muita LUZ pode acreditar. Beijinhos e seja feliz todos os dias sempre.

    • Carolina Bergier disse:

      Oi Julita! A Carol já é super parceira de trabalho! Eu tbm estou na Green School! É a malha sendo tecida…. Obrigada pelas palavras de carinho!

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