O dia em que levei meu ego pra passear. De coleira.

Sábado. Dia de relaxar. Dia de relaxar? Irônico pra mim nesse momento estabelecer 24 horas como o tempo que tenho pra esquecer das obrigações. Obrigações, Carol? Mas você não está em Bali numa temporada sabática? Ok, ok… Não chegaria a chamar de obrigações, mas tenho uma rotina a cumprir. Trabalho voluntário na escola, yoga, meditação, escrever e…. é, é só isso. E tudo isso. São tarefas que amo, mas que não chegam a ser obrigações, já que não sou obrigada a desempenhar nenhuma delas. Faço por prazer e por acreditar que me fazem ser uma pessoa melhor.

Então, não tem sábado nem domingo pra elas. São tarefas de 2ª a 2ª. Mas ontem… ah! ontem… ontem eu não fui uma boa menina. Fui má, muito má. E feliz, radiante. Não, nada disso que você está pensando. Sexo, drogas e rock´n roll seriam demais pra mim. Ontem eu… ontem eu…. Ontem eu fui a Seminyak.

Seminyak é a cidade “cool” de Bali, enquanto Ubud, onde moro há 3 meses é a cidade “espiritualizada”. Hannah achou que seria muito difícil me convencer de conhecer o point dos descolados e hipsters de Bali. “Carol, tenho uma proposta que gostaria que você pensasse com carinho. É minha última semana aqui e acho que seria sensacional se tivéssemos um dia de meninas. Não sei se você vai topar, mas sinto que poderia ser divertido se…” Seminyak? Tô dentro. Say no more, respondi antes mesmo que ela perguntasse. Por mais que eu ame Ubud, estava cansada dos mesmos restaurantes orgânicos, das mesmas pessoas, mesmos temas, mesmas roupas, mesmas vitrines. Cansada do mesmo. Cansada mesmo.

Então, depois de minha prática de yoga matinal (porque sou uma menina quase má), fomos visitar lojas, cafés e ver gente bonita que não se veste como hippies. Primeira parada: Sea Circus, um restaurante que serve café da manhã até tarde, decorado lindamente, objetos vintage escolhidos a dedos espalhados pelas prateleiras. Me sinto em Tel Aviv. O que pedir? Enquanto decido, vou me presentear: Me vê um cappuccino com leite de soja? Leite de soja? Não, não, leite de vaca.

Cafeína? Leite? Bad girl. Enquanto o café não chega, com o prato já selecionado, a trilha sonora me faz sorrir. Darwin Deez, Kings of Convenience, Nouvelle Vague, New Navy. É como se tivessem pego meu iPod, escolhido minha playlist preferida e plugado nas caixas de som. Eu tinha esquecido por um tempo como gosto de música. Lembro-me dos shows internacionais no Circo Voador no verão passado, da fila do gargarejo, dos moshs amorosos, da voz rouca no fim de cada um deles. Até que chega o cappuccino. Ai, ai, ai. Café, eu te amo! Que saudades! Como você faz eu me sentir feliz. Sei que não faz bem, mas cuida tão bem do meu humor…

Depois do café, do humor ainda melhor e das panquecas… é hora de bater perna. Depois de 4 vitrines interessantes, não resistimos. Vamos entrar? Provo uma saia longa marinho plissada lindíssima. Me sinto em Paris. Hannah me convence a vestir também um vestido fofo, bem anos 50. Ai! Também é um espetáculo! Levo só o vestido, porque sou uma menina quase má. Lembro-me do meu armário no Rio, da festa que faço ao escolher a roupa do dia, da delícia que é misturar peças que a princípio não funcionam antes deu bater o olho numa pulseira, um lenço ou uma bolsa que fazem tudo conversar entre si e combinar perfeitamente. Café e compras, eu lhes amo! Que saudades! Como vocês fazem eu me sentir feliz. Sei que não fazem bem, mas cuidam tão bem do meu humor…

Batemos muita perna pelas ruas. Cada loja linda. Roupa, decoração, acessórios, iluminação, estímulos visuais mil. Ai que restaurante bonito, estamos na California. Vamos sentar e pedir algo pra beber? Eu tinha um chá, no máximo um suco na cabeça. Ela vem com uma proposta absolutamente indecente: Kir Royal? Ai, Hannah… Champagne? Mas não bebo há quase 4 meses. Depois da cafeína? Sério? Ok, eu topo! Parecemos duas meninas tomando o primeiro drink da vida. Eufóricas. O brinde? A nossa capacidade de manifestar meios físicos, materiais, emocionais, psicológicos e espirituais para cumprir tudo o que necessitamos e desejamos. Por que sou uma menina quase má.

Ai que delícia… não sou muito de álcool, mas nunca tomei nada que tenha descido mais redondo do que aquela taça. Lembro-me das mesas de bar com as meninas. De como eu sempre acabo pedindo um suco enquanto elas bebem cerveja, do clima de bar, de ter gente bonita na mesa ao lado, o barulho, a fila no banheiro, os assuntos femininos não densos nem intensos. Café, compras e champagne, eu lhes amo! Que saudades! Como vocês fazem eu me sentir feliz. Sei que não fazem bem, mas cuidam tão bem do meu humor…
Mais bate perna, mais lojas, mais pequenas compras, mais cafés incríveis, lojas de design, estilistas que sabem o que fazem, vitrines com misturas de estampas que funcionam. Eu tinha esquecido disso tudo. Lembro-me de uma Carol meio enferrujada. Ainda está aqui, adormecida nesses últimos meses, pra dar espaço a uma Carolina mais centrada e consciente. Amo as duas, Carol e Carolina. Uma completa a outra. Uma faz a outra ficar mais leve e divertida. Honro as duas!

Meu ego estava mesmo precisando fazer a festa por um dia. E minha espiritualidade clamava por um break. Foi importante deixar meu ego se divertir, ele é como uma criança que precisa de atenção de vez em quando. Estou tentando tanto abafar sua existência tanto que ás vezes esqueço que vim pra esse mundo pra experimentar tudo que meu corpo físico tem pra me proporcionar. E que meu ego também faz parte dessa incrível experiência. Café, compras e álcool também. Em moderação. Então agora, com vestido novo, bolsa nova, cafeína e álcool no sangue, é hora de voltar pra Ubud, que meu ego está cansado e hoje tem eclipse na lua cheia e quero meditar debaixo do luar.

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3 respostas para O dia em que levei meu ego pra passear. De coleira.

  1. maria disse:

    carol, seu texto cuidou muito bem do meu humor🙂

  2. issalacroix disse:

    Lindo equilíbrio!!! =]

  3. Iaci disse:

    tb quero um dia nesse lugar!!! pra levar meu ego pra passear junto com seu, já que segurei-o em ny rsrsrsrs to chegandooo bj

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