Chegando em Gili: a saga!

Saimos da cidadezinha de Padangbai as 10, depois de 2 horas de espera. Chegamos em Gili-Trawangan ás 19. No total, 11 horas de viagem. Padangbai é a cidade em Bali de onde saem os barcos para ir para outras ilhas da Indonésia: Lombok e as 3 ilhotas chamadas Gili Islands: Trawangan, Meno e Air. A idéia inicial era vir de fast boat diretamente pra cá, o que demoraria cerca de 2 horas e meia, mas a estação de chuvas tem mostrado seu poder nos últimos 5 dias e tivemos que vir de slow boat mesmo, já que o outro não tinha chances de passar por uma possível tempestade. Achamos que seria uma aventura interessante passar as próximas 6 horas tentando chegar em Gili-T.

A aventura se tornou saga. Começou numa balsa de 3 andares, na qual o primeiro é reservado para ônibus, carros e motos, o segundo e o terceiro para pessoas. Um vendedor de nasi goreng (a comida típica daqui, que os vendedores ambulantes vendem enrolada num cone de papelão – será que daí veio a moda do Temaki?)… ai, digressão. Começo a frase de novo então. Um vendedor de nasi goreng, um dos muitos ambulantes da balsa, nos deu a dica de ir direto pro terceiro andar. Diferentemente do segundo, esse não tinha cobertura e ficamos no mormaço/pingos. Algumas cadeiras e outras poucas espreguiçadeiras molhadas de chuva.

 

A caminho do 3o andar

Vendendo nasi goreng

A balsa ainda estava vazia e conseguimos um lugar massa: duas espreguiçadeiras num patamar elevado. Estiramos-nos, felizes com o tempo nublado e uns pingos esparsos, deitando no molhado mesmo e arrumando as bolsas debaixo da capa de chuva comprada em Ubud pra andar de moto. Escuta música, lê livro, se protege da fumaça, concentra pra não ficar mareada. Tudo isso com a balsa ainda parada. Desatracamos somente quando nossos pulmões já estavam intoxicados e nossos rostos pretos de fumaça. Ufa! O movimento do barco fazia o cheiro ir pra trás. Agora sim, paraíso!

A bexiga reclamava. Desci pra procurar o banheiro. Perguntar pro moço da vendinha foi desnecessário, já que era só sentir o cheiro de xixi exalado. Squat toilets, os famosos vasos asiáticos, vulgos buraco-no-chão-se-vira-mané. O cheiro era insuportável. Prende a respiração, baixa o short e vai. Agradece pelos anos de yoga que te permitem ficar nessa posição e mirar enquanto o barco vem e vai, vem e vai. Agradece á mamãe por ter deixado com você uma caixinha com lenços umedecidos. Aliviada, dou uma volta na balsa. Agradece ao vendedor de nasi goreng por ter dado a dica do terceiro andar. O andar debaixo era um chiqueiro. Pessoas amontoadas, homens comendo turistas com os olhos, crianças deitadas num chão imundo.

Lotação

Saindo do banheiro... o futum imperava!

Em pé

Todos ocupados

Volto pra nossa área VIP lá em cima. Depois de dias de chuva ininterruptos, o sol resolveu dar as caras. Nos primeiros 5 minutos sem nuvens, as duas estamparam um sorriso no rosto enquanto se besuntavam de protetor solar. 40 minutos depois, depois de todos os turistas desistirem de torrar num sol escaldante, nossa capa de chuva se tornou toldo. Canga, o fiozinho do capuz da capa, a alça da bolsa da máquina e até o adesivo de segurança da companhia aérea também entraram no jogo.
Isso é que é sustentabilidade! Nada tem um só uso… Em menos de 5 minutos, nós duas tínhamos o melhor lugar do barco. Vento, sombra e banho de torneira.

Nossa área VIP

Nosso toldo sustentável

Relaxamos até uma ventania se aproximar, um bom tempo depois. Nosso lindo e invejado toldo foi pras cucuias. Hora de inventar mais passatempos. Monta o tripé, encaixa a câmera, iPod no ouvido. Lá estava eu dançando em meio a estranhos, gravando um videoclipe – projeto meu e da Iaci. Os locais me olham num misto de horror e encantamento. Estamos chegando na parte muçulmana do arquipélago da Indonésia e ver uma mulher dançando assim sem mais nem menos não é normal por essas bandas. Depois de aliciarmos alguns poucos pra participarem da brincadeira, estamos quase chegando em Lombok.

Saga-parte 2. No desembarque, um amontoado de gringos suados espera instruções pra pegar o ônibus pra ir pro outro lado de Lombok. Um local é responsável por coletar todos os tickets e alocar os turistas em um lugar que possamos embarcar no tal ônibus. A organização é sinônimo de colocar os turistas num mesmo amontoado de antes. Depois de uns longos 15 minutos debaixo de sol, sem ninguém saber que estava acontecendo, todos já sem tickets, alguém grita: Gili! O mar de suados se movimenta para os ônibus. Doce ilusão… ônibus.

Sentamos numa van cujo chão tinha um rombo. A próxima uma hora e meia foram vendo o asfalto esburacado debaixo de nossos pés, parando em lugares avulsos para trocar vouchers por tickets (até agora não entendi a necessidade parar duas vezes pra fazer isso… Indonésia style) e ouvindo um inglês perguntar de onde éramos.

-Brasil.

-Oh! Isso explica muito… (Ele se vira pra mulher). Querida, não era insolação nem cogumelos. Elas estavam dançando no deck por que são brasileiras. (Ele se dirige a nós) Sabe, se um inglês tomar chá de cogumelos e ficar com insolação, passa a ser quase brasileiro.

Ficamos sem saber o que pensar. Que coisa estranha achar que é necessário ser brasileiro, estar drogado ou doente pra resolver dançar por aí… não posso fazê-lo pelo simples fato de estar com vontade? Na praia de Balangan, há uns 2 meses, foi a mesma coisa. Eu dançava no por do sol e dois austríacos (que depois viraram nossos amigos e então nos confessaram a primeira impressão) acharam que eu estava bêbada ou doida de cogumelos. Eu hein! Esse povo tem que relaxar um pouco e se deixar ser, sem tanta preocupação.

Esperando o barco Lombok - Gili

Saga – parte 3. Essa foi rapidinha. Ainda bem. Depois de tantos meios de transporte e de tanto esperar entre a chegada da van e saída desse último barco, eu e Iaci estávamos muito cansadas e famintas a ponto de um fósforo virar uma fogueira. Qualquer coisa era motivo de discussão. Mas felizmente só ficamos nesse barquinho mequetrefe por uma meia hora. 11 horas depois do início da saga… as águas cristalinas de Gili-T, que vimos somente quando já escurecia.

Exaustas, escolhemos a primeira pousada que vimos. Um bangalô lindo, limpo e baratinho. Que delícia! Até eu ligar o chuveiro pra limpar tanta fumaça, protetor solar e suor. A água… salgada! Mesmo assim, que banho delicioso. Agora, depois de um jantar indiano de frente pro mar e a promessa de diminuir o uso da palavra “não” (utilizada 8 vezes nesse texto), é hora de dormir. Estou exausta e o corpo já não responde mais… Amanhã temos uma ilha inteirinha pra desbravar. E muitos lugares exóticos nos quais queremos dançar.

Já é noite...

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