Sobre satélites, tempo e espirais

Ontem estava conversando com alguém sobre a noite em que dormi debaixo das estrelas em Wadi Ram, deserto na Jordânia. O céu lá é tão limpo que apontávamos pra pontos de luz em movimento achando serem estrelas cadentes que caiam num tempo estranho e nunca desapareciam. Eram satélites. Hoje passei o dia pensando neles: giram em torno do planeta, passando várias vezes pelo mesmo local, que na verdade já é outro. Como assim? Todos os dias são divididos pelas mesmas medidas: manhã, tarde e noite. Contudo, nenhum deles se repete com o passar do tempo. Ou seja, os dias são paradoxalmente sempre iguais – cíclicos – e sempre diferentes – lineares. Mas como uma coisa pode ser linear e cíclica ao mesmo tempo? Sendo espiralar. O tempo é uma espiral num planeta que faz movimentos inicialmente cíclicos que com a expansão infinita do universo tornam-se também espiralares.

dormindo sob as estrelas

Estou claramente nesse tempo espiralar. A 15 dias de estar em casa (desculpa, gente boa, mas a contagem regressiva é irresistível…), os ciclos vão se fechando. Hoje fui almoçar com a Della. Estivemos juntas no kibbutz Lotan, em Israel. Ela veio pra Bali ser voluntária numa clínica que cuida do sério problema de raiva entre os cachorros balineses. Encontrar alguém que conheci no comecinho da viagem quando estou no finalzinho foi uma experiência engrandecedora. Tão bacana ouvir tudo o que aconteceu na vida dela de lá pra cá… Ela agora tem um namorado em Israel, se desfez de sua livraria na França e está se mudando para Jerusalém. Quando já havia desistido de conseguir vender o negócio de 16 anos, deu entrada na papelada pra simplesmente fechá-lo, sema maiores expectativas. Foi só bater o martelo e dizer “chega de livraria!” que uma pessoa ligou pra ela interessada. Vendeu o ponto, os livros, tudo! Eita história bonita, né mãe?

Della, Jesse e eu... Bons tempos de deserto

Depois de fofocas e atualizações, eu contei pra ela da minha saga. E foi aí que ouvi: “You came a long way. Quando nos conhecemos, você estava perdida, sem saber o que fazer nem pra onde ir, sem saber quais eram seus interesses e talentos. Que lindo poder lhe reencontrar depois desse trajeto e perceber como você amadureceu.”

Sim, o tempo é elíptico. Encontro com Della em um momento de fechamento de um ciclo e abertura de um novo já com mais consciência de quem sou e o que quero. O ciclo se manifesta em todos os âmbitos: meus posts que estão se tornando aprofundamentos sobre o mesmo tema, assim como aconteceu antes de embarcar: o ir e o voltar. Vou revisitando assuntos antigos com um novo entendimento, revendo pessoas que conheci no início dessa jornada, trocando e-mails com novos e novos velhos amigos a fim de limpar e finalizar situações ainda um pouco em aberto. É o satélite passando mais uma vez por um novo aqui.

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2 respostas para Sobre satélites, tempo e espirais

  1. Adelia Bergier disse:

    Querida Carol: somente quinze dias …………………..beijos mil…………………Adelia

  2. Ariela Iskin disse:

    Carol,
    tenho acompanhado nas tuas historias no blog o teu caminho, nunca deixo de me surprender pela tua apertura e claridade, principalmente, pela tua aceitação e comprensão. Não tenho dúvidas que o que emprenderes será com sucesso! Parabéns!!!

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