A jornada começa agora

Ontem a Sharon me perguntou se eu tinha preparada a resposta pra pergunta que, segundo ela, me cansaria pelos próximos dias: “Como foi sua viagem?” Eu ri e disse que não, que não saberia nem por onde começar. Ela me ajudou com um resumo: “Sai numa jornada em busca de mim mesma e me encontrei. Agora sei o que quero pra mim, pelo menos nessa próxima fase da vida.” Simples assim. Sem nuances, histórias, causos, narrativas. Sem verborragia. Foi isso. Sai numa viagem em busca de mim mesma e me encontrei.

Se você acompanhou esse diário, sabe que foi uma jornada com altos e baixos, mais altos do que baixos, porque felizmente conseguir fazer os baixos se elevarem. Me encontrei. Mas mais do que isso, me sintonizei na minha própria freqüência, atraindo tudo que precisei e vivendo toda a teoria que vinha estudando nos últimos tempos. Minhas palavras manifestadas, meu desejos co-criados. Entendi que com o coração honesto e reverenciado pela mente, minha realidade revela todo meu potencial. Entendi o preenchimento da mente a partir de seu esvaziamento. Entendi a conexão entre o sentir, o intuir, o pensar, o falar, o agir. E só pude ter a compreensão de tudo isso por ter saído de um espaço de medo e entrado no amor incondicional. E aí o mar se abriu.

Esse movimento começou lá atrás, no meio de 2010, quando tudo ao meu redor começou a ruir. Emprego, ideais, namoro, valores, rotinas. Eu poderia ter entrado no limbo. Mas havia me preparado mental e espiritualmente pra ter a certeza irracional que o desfacelamento da minha vida tal como eu a conhecia era um presente naquele momento, uma oportunidade de me desfazer de padrões de comportamento que já não mais me serviam e que eu tinha medo de deixar pra trás. Sabe assim, apego? É…

Mas aí tudo se foi. Ganhei tanto espaço interno que meu coração cresceu e a veio clareza mental de que era hora de me afastar daquele ambiente. Eu iria viajar. À princípio, só pra Bali. Não sabia muito o porquê. Não conhecia ninguém que já tivesse passado uma temporada na parte mais famosa da Indonésia, não sabia nada sobre a ilha, além de que era um paraíso do surf. Mesmo tendo receio de entrar no mar com uma prancha, eu sabia que era pra lá que eu tinha que ir. Mas alguma peça desse quebra cabeça ainda faltava.
Até o réveillon de 2010 pra 2011, quando antes de dormir pedi uma resposta de pra onde e quando ir.

Acordei no primeiro dia do ano com uma imagem mental clara, daqueles sonhos que você sabe que precisam ser lembrados: no meio do deserto, o mar se abria e eu o atravessava sozinha. Imediatamente eu soube. Quando o mar se abriu no Egito, Moisés levou todos a Israel, e foi lá que encontraram a liberdade. Eu faria o mesmo, na mesma época: iria pra Israel logo depois de Pessach, a festividade que comemora a saída do povo judeu do Egito. Eu atravessaria esse mar que o Universo estava abrindo pra mim. Tudo o que eu poderia ter visto como ruína a minha volta, enxerguei como obstáculos saindo do meu caminho, o mar se abrindo, esperando que eu o atravessasse. Ganesha, o deus hindu removedor de obstáculos, me apadrinhou naquela noite. E se mostrou presente dia após dia, numa mistura linda de religiões que me permitiu ir mais fundo na minha espiritualidade.

E foi assim, num sonho, que eu entendi a proposta dessa viagem. Eu viajaria pra dentro, numa busca interna pra me libertar de mim mesma. Estou livre. Tão livre que volto pra casa.
O que mudou? Muita coisa, nem sei dizer. Acho que só vou compreender tudo o que aconteceu quando retomar minha vida no Rio e observar as novas – ou não novas – reações aos velhos estímulos. De mudança tangível e definitiva, meu caminho profissional. Deixei pra trás uma carreira com marketing de moda pra criar algo alinhado com meus valores e paixões. As palavras são minhas amigas. E serão minhas companheiras nessa nova empreitada jornalística, buscado sempre focar na consicência de um novo e urgente posicionamento frente ao Outro, a Si e ao Mundo. Além disso, alguns outros projetos estão sendo desenhados, acho que vocês vão gostar. Se ficou curioso, não se preocupe. Esse texto não é uma despedida. Vou continuar escrevendo, que essa jornada não acabou. Tá só começando.

Espero que esse capítulo que se finaliza hoje tenha te ajudado de alguma maneira: a passar o tempo, a conhecer novas culturas, dar uma risadinha aqui e ali, repensar seus padrões através das minhas cagadas, procurar uma nova maneira de ver sua realidade ou reafirmar a antiga… é tudo válido, desde que seja com o coração.

Se você se sentiu beneficiado por alguma palavra minha, gratidão infinita por ter se permitido se dar o tempo de ler esse diário que me deu tanto prazer. Agora, com as pernas fortes, estou pronta pra de dar passos maiores. De repente você pode me ajudar… conhece alguém que conhece alguém que se interessaria na minha história e nas minhas palavras? Uma editora, uma revista, um jornalista, um produtor, um amigo. Passa o link do blog pra ele, quem sabe?

Chegou a hora de embarcar pro Rio, as lágrimas correm felizes. Bom vôo pra mim e bom início de jornada!

Até daqui a pouco e quem sabe agora a gente se esbarra pelas ruas da Cidade Maravilhosa…
Com muito amor e alegria,

Carolina

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6 respostas para A jornada começa agora

  1. Bom retorno, Carol, será muito bem-vinda!
    O seu blog me inspirou a escrever um também! Beijos

  2. Sofia disse:

    Parabéns Carol! Você é uma das GRANDES MULHERES que têm inspirado minha vida nestes ultimos anos… Se algum dia eu conseguir escrever um livro sobre essas GRANDES MULHERES que tenho vindo a “conhecer” você fara certamente parte dele!!! Promete que me dara seu testemunho, promete???! Um beijo grande de gratidao e daqui a pouco mais de 1 mês, estarei pisando essa mesma terra que você percorreu nestes ultimos meses e pensarei em você e no quanto me inspirou e me encorajou com seu testemunho a partir em busca de mim propria! GRATIDAO aos KILOS!

  3. Um ótimo retorno, Carol! TODA SORTE DO UNIVERSO para voce, luz em seu caminho. beijos no coração. Karina

  4. Paula disse:

    Carol, achei tudo magnífico! Que fantástico começo! Sou muito grata por poder ter encontrado o seu blog, quando também procurava justamente sobre um caminho a trilhar: Kibbutz.
    Lindo, lindo mesmo! Com certeza você poderia publicar um livro com os seus textos, com suas fotos… Outra idéia: Soube pelo Facebook que está aberta uma audição para palestrantes brasileiros para o TED 2013, na Califórnia. A audição será no dia 11 de Junho e as inscrições online ocorrerão do dia 3 ao dia 23 de Abril.
    Aqui está o link: http://conferences.ted.com/TED2013/auditions/
    Mais uma idéia: Revista “Vida Simples”, da Abril. O que acha?
    Mais uma outra idéia: Não sei se interessa, mas já pensou em fundar uma escola alinhada, talvez, com os valores da própria Green School, na qual você trabalhou? Digo… Eu mesma sempre quis investir numa educação como esta no Brasil. Precisamos de crianças mais conscientes, mais sensíveis, mais livres, mais felizes, mais engajadas…
    Um forte abraço e seja muito bem-vinda!
    Eu não te conheço, mas já gosto tanto de você! Espero que seja cada dia mais feliz e realizada!

  5. juliana disse:

    que coisa mais linda carol !!!!!!!!!!!!! incrivel incrivel incrivel ! clapclapclap!!! parabens!!!! vou e confessar q voce conseguiu arrancar mts lagrimas e sorrisos de mim ! foi um prazer acompanhar seu blog ! Que essa sua nova fase seja de mts alegrias e novas conquistas ! quero te verrrrrr !!! bjos

  6. Oi Carol, só hj eu aqui no seu blog…Que linda alma tem vc. Que orgulho senti de vc. Quanta emoção e lágrimas pude deixar fluir…Adorei uma proposta sugerida para vc sobre educação…É tudo que penso na vida hoje: educar para sustentabilidade…Acho que este pode ser seu caminho de alma…Quero te ver e te abraçar pessoalmente. O mundo agradece poder ter vc. Nós todos. Beijo carinhoso Paulo Cunha.

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